Como funciona a logística dos portos brasileiros?

Você sabia que cerca de 90% de todas as exportações brasileiras são realizadas pelo modal de transporte hidroviário, ou seja, rios, mares e oceanos. Esta estatística mostra o quanto os portos são importantes para a economia do país. 

A logística portuária é responsável por garantir que as atividades de exportação ocorram de forma eficiente. É a gestão de mercadorias e pessoas, realizada numa infraestrutura que conecta o transporte terrestre e aquático, respeitando os processos administrativos das legislações que afetam a exportação, a importação e a cabotagem. 

Este conteúdo reúne diversas informações importantes sobre a logística portuária brasileira: como ela funciona, quais os desafios que enfrenta, como funciona a participação do Brasil no comércio mundial e muito mais. 

Acompanhe a leitura! 

Entendendo a logística portuária 

Segundo a projeção do Plano Nacional de Logística e Transporte (PNLP), a demanda para os portos brasileiros tende a crescer 92% até 2042. Estamos falando de apenas 21 anos, por isso, para garantir que esse crescimento ocorra de forma ordenada, é necessário que a estrutura e administração portuária esteja consolidada. 

Como funciona a estrutura da logística portuária 

Basicamente, a estrutura logística portuária, subdivide-se em: complexo fixo, administração e operação. 

Complexo Fixo: 

O complexo fixo compreende todas as estruturas para funcionamento da logística portuária. Inclui instalações como terminais portuários, cais, armazéns e todo o maquinário envolvido. Considerando a finalidade desse setor, ele é parte essencial para que o manuseio da carga seja excelente.

Administração: 

A administração é o ponto chave da logística portuária. Ela diz respeito aos órgãos encarregados da gestão dos portos. Em conjunto, eles gerem desde o operador portuário até a modernização dos sistemas presentes no porto. Pode-se citar como exemplo as marinas, que desempenham variadas funções como carregamento/descarregamento, abrigo e reparo de embarcações. 

Operação: 

Nele ocorre a execução da logística programada previamente. Compreendem-se como peças desse setor, por exemplo, os operadores portuários e os rebocadores. Os operadores trabalham na manipulação de maquinários e cargas. Enquanto isso, os rebocadores são barcos que servem para auxiliar as manobras das embarcações. 

Entendida a estrutura de um sistema logístico portuário, é importante observar a conexão entre as partes citadas. Como em um tripé, se uma das categorias estiver fragilizada, as restantes não funcionarão bem. Não se pode pensar, por exemplo, em um ótimo serviço de operação, com um complexo fixo deteriorado e uma administração insuficiente. 

Desafios da logística portuária brasileira 

Os dois principais problemas que desafiam o bom desempenho da logística portuária brasileira são: infraestrutura e burocracia. 

Sabemos que quando se fala de infraestrutura para o bom funcionamento da logística, não se trata apenas da parte portuária em si. A questão se alonga à toda infraestrutura além da área do porto. 

Segundo o relatório de competitividade do Fórum Econômico Mundial o Brasil está na 73ª posição no ranking de melhor infraestrutura mundial. Os transportes necessários para a manipulação das cargas, ou seja, os portos, rodovias, ferrovias e aeroportos, encontram-se ultrapassados em relação aos países que estão acima no ranking.  

Historicamente o Brasil utiliza a malha rodoviária como principal forma de transporte de cargas e pessoas. Porém, apenas 12% dessa malha é pavimentada e cerca de 60% da malha pavimentada possui algum tipo de problema. Portanto, o modal rodoviário passa atualmente por uma séria sobrecarga, inviabilizando o escoamento de carga por esse meio, dificultando a eficiência da chegada aos portos. 

Além disso, a malha ferroviária também é muito relevante no transporte da produção nacional. Porém, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT) tem apenas 70% dos trilhos utilizáveis e 8% é compartilhado entre modais. Ou seja, úteis para escoamento. 

Considerando a dimensão do problema, se pode concluir que é necessário investimentos para modernizar e adaptar os diferentes modais de transporte para agilizar o escoamento de toda a produção nacional, auxiliando no aumento dos números da exportação nacional.

Burocracia  

Como dissemos anteriormente, a burocracia também ter se tornado um dos principais problemas na logística portuária.  

Segundo dados do Banco Mundial, um container leva uma média de 13 dias para ser exportado do Brasil. Desses 13 dias, 6 são devidos aos trâmites burocráticos. 

O problema em questão se deve à lentidão dos processos de emissão documentária, além de redundância em vários deles. Ou seja, os órgãos competentes aos mecanismos de transporte marítimo não se comunicam entre si. Portanto, a mesma documentação deve ser entregue, por exemplo, à Marinha, à Polícia Federal e à Anvisa, para despacho. 

Atualmente, as cargas possuem um período de armazenagem sem custo, justamente para suprir o tempo gasto com burocracias. Porém, esse tempo na maioria das vezes é ultrapassado, gerando um custo de armazenagem não previsto. Essa situação prejudica o lucro da empresa envolvida na importação ou exportação. 

Uma possível solução para diminuir tanta burocracia, seria a automatização de alguns processos. Desde 2010, existe um programa chamado Porto sem Papel, que consiste em um banco de dados para liberação de carga e adiantamento burocrático. Hoje, o principal desafio é que todos os portos brasileiros se adequem a esse sistema. Com isso, existiria um adiantamento nos processos portuários. Além disso, menos suscetibilidade a falhas humanas na manipulação de documentação entre os órgãos. 

Estrutura portuária no Brasil 

Nosso país possui um total de 175 instalações portuárias de carga, incluindo portos e terminais marítimos e instalações aquaviárias. Temos portos ao longo da nossa costa e no interior do país utilizando nossas extensas bacias hidrográficas. Pode não parecer, mas existem 76 terminais no interior, fora da costa litorânea. Destes terminais, são 18 na Região Sul, 6 na Região Centro-Oeste e 52 na Região Norte.  

O Brasil possui um grande problema em seus portos que se sustenta no baixo calado. O calado se refere à altura de água que se faz necessária para que haja a flutuação livre do navio. Quando o calado é baixo, como no Brasil, há perda de eficiência, pois só é possível receber navios menores. 

Alguns portos, vem adaptando seu calado através de obras de dragagem, para poder receber navios maiores e aumentar sua competitividade. O porto de Santos/SP, por exemplo, aumentou seu calado para 13,5 metros em 2018, em boa parte de seu canal de navegação. Com isso, as embarcações poderão transportar uma quantidade maior de cargas, ampliando as operações no complexo portuário santista. 

O setor portuário tem se desenvolvido nos últimos anos, mas ainda apresenta grande potencial de aprimoramento. Segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), o Brasil possui uma costa de 8,5 mil quilômetros navegáveis, e em 2019 movimentou 1,1 bilhão de toneladas entre exportações e importações das mais diversas naturezas. 

O Governo Federal tem se empenhado em conduzir uma agenda robusta de projetos de infraestrutura, além de dar uma ênfase grande ao aprimoramento do arcabouço regulatório relacionado ao segmento. E o setor portuário é um dos beneficiários dessa agenda. 

O Programa de Parcerias de Investimentos, PPI, criado pelo Governo Federal em 2016 com o intuito de ampliar e fortalecer a interação entre o Estado e a iniciativa privada por meio de contratos de parceria e outras medidas de desestatização, compreende mais de US$ 30 bilhões de investimentos em rodovias, ~US$ 2,6 bilhões em aeroportos, US$ 1 bilhão em portos e US$ 15 bilhões em ferrovias. 

O escoamento mais eficiente do interior do país para o litoral representa uma avenida de crescimento importante para o setor, que se beneficia diretamente de acessos mais amplos e ágeis aos portos. 

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